24 de junho de 2013 - 03:48

Berlusconi é condenado a sete anos de prisão por sexo com adolescente

O Tribunal de Milão condenou nesta segunda-feira a sete anos de prisão o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, 76, por prostituição juvenil e abuso de poder. Ele foi considerado culpado por ter relações sexuais com a marroquina Karima el-Mahroug, conhecida como Ruby.

Além da prisão, o ex-chefe de governo ainda foi condenado ao banimento da política italiana até o fim de sua vida. A decisão, tomada em primeira instância, ainda cabe recurso em outros dois níveis –o Tribunal de Apelações e a Corte Suprema.

AFP
Berlusconi é condenado a sete anos de prisão por abuso de poder e prostituição por sexo com Karima el-Mahroug, a Ruby
Berlusconi é condenado a sete anos de prisão por abuso de poder e prostituição por sexo com Karima el-Mahroug, a Ruby

Ele já foi condenado pelo mesmo tribunal a quatro anos de prisão por fraude fiscal na compra superfaturada de filmes americanos para uma emissora de televisão, mas a decisão foi suspensa meses depois por uma instância superior.

No julgamento, os juízes aceitaram as provas da Promotoria, que denunciou que Berlusconi fez sexo com Ruby quando a jovem tinha 17 anos, um ano a menos que a maioridade na Itália, durante uma das festas em sua casa de Arcore, ao lado de Milão, conhecidas como “bunga bunga”.

Inicialmente, ambos negaram as acusações, que foram feitas por prostitutas que estiveram na celebração, mas, em seu último depoimento, Ruby disse que mentiu sobre ter tido relações sexuais com Berlusconi.

Ele ainda foi condenado por exigir a liberação da adolescente quando ela foi presa por furto em uma loja. Na época, Berlusconi justificou a soltura dizendo que a jovem era parente do então ditador egípcio, Hosni Mubarak, mas depois se soube que era uma mentira.

Além do caso Ruby, Berlusconi ainda responde a outros três processos na Justiça de Milão e mais um em Nápoles. Em três dos quatro processos de Milão, ele foi condenado em primeira instância a uma pena somada de 12 anos de prisão. Em todos os casos, cabem recursos a instâncias superiores.

TESTEMUNHA BRASILEIRA

Entre as testemunhas do caso Ruby está a prostituta brasileira Michelle Conceição. Ela afirmou em junho do ano passado que Berlusconi pagou € 5.000 à marroquina para participar de uma festa na casa do primeiro-ministro.

A brasileira disse ainda que ela e Ruby estavam entre as prostitutas que seriam escolhidas para serem levadas ao quarto. Após a disputa, o premiê escolheu Barbara Guerra, mas ela saiu após ver que Berlusconi estava dormindo. Em seguida, a brasileira diz que a marroquina entrou no quarto e fechou a porta. Ela diz que Ruby despertou o ex-premiê e ele “fez tudo” com ela.

Na saída, o então mandatário repartiu os envelopes com o dinheiro para as prostitutas e Ruby ganhou € 5.000. “Ruby disse que queria colocar silicone nos seios, mas o presidente respondeu. ‘Não, você é tão bonita’. Para ele era como uma boneca. Ruby era realmente uma menina e que ele gostava”, afirmou à época, em entrevista ao jornal “L’Espresso”.

PROCESSOS

A primeira condenação foi a do caso Mediaset, em que pegou quatro anos de fraude fiscal por superfaturar preços de direitos de exibição de filmes comprados por uma empresa de sua propriedade. Além da prisão, ele também foi condenado à cassação de seus direitos político de três a cinco anos.

Os magistrados estimam em € 46 milhões (R$ 120 milhões) o montante desviado durante a fraude, entre 2000 e 2003. O julgamento começou em 2006, mas foi parado diversas vezes, incluindo o período em que Berlusconi era chefe de governo.

A pena, no entanto, foi revogada em 7 de março pelo Tribunal de Apelações. No mesmo dia, ele foi condenado a um ano de prisão por violação do sigilo telefônico de uma ligação feita em 2005. O conteúdo da conversa foi publicado pelo jornal “Il Giornale”, de propriedade de seu irmão, Paolo.

A ligação foi feita entre o presidente da seguradora Unipol, Giovane Consorte, e o líder do oposicionista Democratas de Esquerda, Piero Fassino, em que os dois discutiam a possível compra do Banco Nazionale del Lavoro pela seguradora, uma transação que não se concretizou.

O conteúdo foi publicado pelo jornal e usado contra Fassino, que era adversário político do ex-chefe de governo na eleição parlamentar de 2006. A fita foi considerada um “presente” para o então mandatário italiano, que venceu o pleito.

Na cidade, ele ainda é processado por obstrução à Justiça. Em Nápoles, Berlusconi é acusado de subornar o senador Sergio De Gregorio, que teria recebido € 3 milhões (R$ 7,8 milhões) para deixar o pequeno partido Itália dos Valores logo após a eleição parlamentar de 2006, e juntar-se à centro-direita.

De Gregorio admitiu ter recebido dinheiro e os promotores pediram para ele ser julgado ao lado do ex-premiê. Sua deserção minou o governo do então primeiro-ministro Romano Prodi, que tinha uma tênue maioria parlamentar, e contribuiu para seu colapso em 2008.

 

 

Folha de S. Paulo

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