13 de junho de 2013 - 08:35

EUA confirmam uso de armas químicas contra rebeldes na Síria

O Congresso dos EUA foi notificado de que o regime sírio de Bashar al-Assad usou armas químicas, em pequenas quantidades, diversas vezes durante a guerra civil que trava com rebeldes. O subconselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, afirmou que, após essa confirmação, os EUA ampliarão o apoio dado aos insurgentes.

“O presidente decidiu fornecer maior suporte à oposição, o que envolve apoio direto [ao Supremo Conselho Militar, rebelde], incluindo militar”, disse Rhodes. Ele afoirmou que os EUA ainda não se decidiram sobre decretar zona de exclusão aérea sobre a Síria.

O uso do armamento, se confirmado, poderia ser usado como pretexto para uma ação militar internacional na Síria, como os EUA reitera desde o início dos conflitos.

Rami Bleible/Reuters
Soldados do regime sírio chegam à vila de Debaa, perto da cidade de Qusair, palco de vários dias de batalha
Soldados do regime sírio chegam à vila de Debaa, perto da cidade de Qusair, palco de vários dias de batalha

Governos europeus, como o da França, fizeram acusações semelhantes às forças pró-Assad –de acordo com o “New York Times”, analistas europeus também estão a par das informações reveladas ao Congresso americano.

O anúncio surge no mesmo dia em que a ONU confirmou que o total de mortos na disputa pelo poder no país chegou a 93 mil. A estimativa é considerada conservadora, já que a maioria das mortes ocorridas não recebe nenhum tipo de registro oficial. Em média, mais de 5.000 pessoas morreram, por mês, desde julho de 2012.

O confronto entre as tropas leais a Assad, que é alauíta, um braço do islã xiita, e os rebeldes, que são sunitas, já dura mais de dois anos e possui contornos sectários que ameaçam a estabilidade na região.

Desde que as denúncias da utilização de armas químicas começaram a surgir, Washington o trata como um fator decisivo na dúvida sobre agir militarmente no país.

A Casa Branca deve consultar a Rússia –que expressa apoio ao regime sírio no conflito– e a ONU sobre a questão síria, o que abre espaço para uma possível intervenção.

De acordo com a CNN, a inteligência do país concluiu que entre cem e 150 pessoas morreram pelo uso do gás sarín usado pelas tropas do governo.

“Nossa inteligência tem grande confiança nessa avaliação, dadas as fontes de informação múltiplas e independentes”, diz o memorando, segundo o “New York Times”.

Tanto o regime quanto os insurgentes têm se acusado mutuamente de usar agentes químicos no combate, mas ambos negam que os tenham empregado.

O presidente, Barack Obama, havia dito em abril que os EUA possuíam evidências do uso de gás sarín na Síria, mas que não havia provas de quem o havia lançado e em quais circunstâncias.

Nas palavras de Obama, o emprego de armas químicas seria considerado a passagem de uma “linha vermelha” pelo regime sírio.

As denúncias vêm à tona após um momento de conquistas importantes de Assad em batalha, após tropas governistas, aliadas a combatentes do movimento xiita libanês Hizbullah, retomaram a cidade de Quseir, até então controladas por rebeldes.

A cidade é estratégica para a cadeia de abastecimento das linhas insurgentes, além de conectar Damasco a um reduto alauíta no litoral do país.

 

 

Folha de S. Paulo

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