11 de junho de 2013 - 07:52

Polícia turca expulsa milhares de manifestantes de praça em Istambul

A polícia de choque voltou a entrar na Praça Taksim, no centro Istambul na tarde desta terça-feira. Os agentes de segurança usam gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar os manifestantes. De acordo com a imprensa internacional, a nova invasão da praça marca o agravamento dos conflitos entre forças do governo e manifestantes, que ocupam o local desde o começo do mês.

As forças antidistúrbios, que não marcava presença no local há uma semana, invadiram a praça nesta manhã, uma ação que desencadeou um confronto de mais seis horas com grupos de manifestantes, embora a calma tenha sido restabelecida posteriormente. Poucas horas depois do primeiro despejo, os agentes derrubaram várias barracas de comércio de rua, enquanto os manifestantes fugiam.

No entanto, após o término da jornada de trabalho, vários cidadãos decidiram retornar à praça para mostrar seu respaldo aos manifestantes que se encontram no local desde o dia 1º de junho.

Enquanto milhares de pessoas enchiam a praça, agitando bandeiras e gritando palavras de ordem contra o governo, a polícia continuou enfrentando os manifestantes na periferia de Istambul.

Ainda não há informações sobre feridos mas, segundo a agência de notícias Associated Press, várias pessoas estavam sendo colocadas em ambulâncias. De acordo a Associação Médica da Turquia, cerca de 5 mil pessoas foram feridas e três morreram desde o começo dos protestos.

Mais cedo, o governo anunciou que estava disposto a negociar com os manifestantes.

Polícia de choque turca entra em confronto com manifestantes durante retomada de controle da praça Taksim, em Istambul Leia mais

A chegada da polícia à Praça Taksim nesta manhã desencadeou violentos confrontos, com o uso de gás lacrimogêneo e canhões de água por parte das forças policiais, enquanto os manifestantes respondiam com o lançamento de pedras e coquetéis molotov.

A polícia alegou que não pretendia desmontar o acampamento de protesto no adjacente parque Gezi, mas que pretendia limpar a praça e seus arredores.

Embora os agentes tenham conseguido remover os cartazes do monumento central, centenas de pessoas concentradas no restante da praça armaram novas barricadas e passaram a enfrentar os agentes, na maioria dos casos de maneira pacífica.

A intervenção policial ocorreu poucas horas depois que o governo anunciasse sua disposição de negociar as reivindicações ambientais dos manifestantes.

A Plataforma de Solidariedade com Taksim, surgida para proteger o parque Gezi de um projeto urbanístico e uma remodelação, convocou todos aqueles que apoiam os protestos antigovernamentais a comparecer hoje novamente à área verde e a praça.

A Plataforma em questão afirmou que as autoridades ainda não atenderam nenhuma de suas reivindicações, como assegurar que o parque será respeitado, a libertação dos detidos nas duas semanas de protestos e a acusação dos responsáveis da violência policial, entre outras.

 

 

Folha de S. Paulo

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