27 de maio de 2013 - 10:00

Jornalistas do “Le Monde” dizem ter presenciado ataque com armas químicas na Síria

Forças sírias leais ao presidente Bashar Assad usaram armas químicas contra tropas rebeldes em Damasco, afirma o jornal francês “Le Monde” nesta segunda-feira (27).

A reportagem conta que o  fotógrafo Laurent van der Stockt, do Le Monde, ficou com a visão turva e dificuldades de respiração durante quatro dias após um ataque realizado em 13 de abril no fronte de Jobar, em Damasco.

Segundo a reportagem, assinada por Jean-Philippe Rémy, o projétil susado para liberar o gás não tem cheiro, nem expele fumaça.

“Depois aparecem os sintomas. Os homens tossem violentamente. Os olhos queimam, as pupilas ficam extremamente retraídas e a visão obscurece. Em seguida, seguem as dificuldades respiratórias, os vômitos e os desmaios”, descreve.

Médicos ouvidos pelo jornal dizem o gás sarin é a substância química usada pelas tropas de Assad.

“Os gases são usados de forma pontual, evitando uma propagação massiva”, escreve Rémy.

Um vídeo gravado em Harasta mostrou pelo menos dois combatentes sendo colocados em um veículo, com os olhos lacrimejando e com dificuldades para respirar, enquanto socorristas inseriam tubos nas suas gargantas.

Ambas as partes do conflito, que já está no seu terceiro ano, se acusam mutuamente de usar armas químicas.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, advertiu nesta segunda-feira  que há ‘suspeitas crescentes’ sobre o uso de armas químicas na Síria.

No entanto, o ministro francês esclareceu que ainda é necessária uma verificação detalhada para confirmar esta informação.

O tema é debatido em Bruxelas durante uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE).

Combate em Qusair

Intensos combates aconteceram nesta segunda em torno da estratégica cidade fronteiriça de Qusair.

Ativistas da oposição disseram que soldados sírios amparados por combatentes do grupo libanês Hizbollah estavam avançando em áreas no entorno de Qusair, mantendo uma ofensiva sobre uma cidade usada há meses por rebeldes como entreposto para o transporte de armas e outros suprimentos a partir do Líbano.

Para Assad, Qusair é uma ligação crucial entre Damasco e bolsões aliados na costa do Mediterrâneo. A eventual recaptura da cidade, na província de Homs, poderá também interromper as conexões entre as áreas rebeldes do norte e do sul da Síria.

As ofensivas do governo sírio nas últimas semanas são uma aparente tentativa de fortalecer a posição de Assad para negociações de paz a serem promovidas no mês que vem pelos EUA e a Rússia.

As forças de Assad no momento controlam cerca de dois terços de Qusair, segundo um ativista que pediu para não ser identificado. Reforços rebeldes de outros pontos da Síria tentam aliviar a tensão, mas seus ataques já diminuíram na periferia.

“Até agora eles estão apenas combatendo e lutando, sua ofensiva não resultou ainda em muita coisa, infelizmente”, disse o ativista.

Intensos combates interromperam a rodovia que liga Damasco, no sul, a Homs, na região central, e sacudiram também a periferia leste da capital.

 

 

UOL com AFP e Reuters

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