21 de maio de 2013 - 10:32

Construção de uma Cultura de Sucesso na Escola

Virar o placar adverso da qualidade do ensino no Brasil é uma tarefa de todos. Uma movimentação nunca vista tem havido em quase todos os segmentos da sociedade. Mobilizam-se setores governamentais, empresariais, sindicais, estudantis e instituições não governamentais. Entretanto, não é percebida uma atenção especial em relação a salários, formação e acompanhamento das atividades docentes, inclusive com avaliação de desempenho.

Existem estudos realizados com crianças que possuíam identidades de fracasso na escola e ainda assim tinham Q.I. acima de crianças com sucesso escolar. Esses mesmos estudos concluíram que a filosofia da escola que dá ênfase ao fracasso, impede os alunos desenvolverem a consciência do valor pessoal. Esses alunos baixam a auto-estima, perdem o estímulo pelas atividades escolares, deixam de acreditar neles mesmos.

Os alunos que não progridem de ano na escola ficam desestimulados, com fracas imagens e distorção de si mesmos. Não acreditam na capacidade de que são portadores. Passam a constituir um problema para a escola e para a sociedade por não terem conseguido progredir. Reduzem-se as expectativas sobre o potencial de que são possuidores.

A escola não pode se transformar em um campeonato de futebol, torneio de atletismo ou competição de natação, em que apenas um é campeão. A escola é um espaço que deve assegurar a todos os alunos a conquista do campeonato da aprendizagem.

Algo está errado com a escola que promove alguns e pune outros com a reprovação, principalmente, quando estes são aqueles, sobre os quais já se comprovou serem detentores de Q.I. elevado. Isto demonstra que a reprovação de crianças e adolescentes em nossas escolas é uma atitude inaceitável, que os professores precisam fazer uma reflexão sobre sua prática, sobre a aprendizagem dos alunos. Reprovar no Ensino Fundamental e Médio, com mais sentido, no primeiro, não é uma ação inteligente por parte do professor. É, talvez, uma ação de quem desconhece os meios oferecidos pelas teorias da aprendizagem.

Os mesmos estudos apontam que professores e alunos ficam desalentados, quando não se consideram derrotados, afirmando ter muito poucas oportunidades de serem felizes no mundo, tal como o viam. Algo imprescindível para garantir a aprendizagem, é professores e alunos construírem uma identidade de vencedores, uma perspectiva de que sempre são capazes de virar o jogo, de alterar uma realidade adversa.

O Poeta Murilo Mendes afirma: “Ninguém moverá para mim a máquina do sonho; eu hei de movê-la”. Os sonhos que cada criança ou adolescente e professor podem produzir juntos são ilimitados e duradouros. São momentos que não serão apagados da memória de nenhum deles.

pedro.lucio

Pedro Lúcio

Coluna

Foi dirigente sindical e Secretário de Educação de Campina Grande. É Doutor em Ensino, Filosofia e História das Ciências e professor da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB.

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