5 de maio de 2013 - 01:30

Israel realiza mais um ataque aéreo contra a Síria

Aviões israelenses atacaram áreas no interior e ao redor da capital síria neste domingo. Os alvos eram carregamentos de mísseis iranianos de alta precisão que estariam sendo enviados para o grupo militante libanês Hezbollah.

O ataque, o segundo em três dias, sinaliza uma grande intensificação do envolvimento de Israel na guerra civil síria. Meios de comunicação estatais sírios informaram que mísseis israelenses atingiram um centro de pesquisas militar e científico perto de Damasco e provocaram vítimas.

Um funcionário de inteligência no Oriente Médio, que falou em condição de anonimato, confirmou que Israel lançou um ataque aéreo contra a capital síria na manhã de domingo, mas não forneceu detalhes mais precisos sobre a localização. O alvo eram mísseis Fateh-110, que têm sistemas de precisão melhores que aqueles que o Hezbollah tem em seu arsenal, disse a fonte à Associated Press.

Israel teme que o Hezbollah se aproveite do caos na Síria para tentar levar armas avançadas para o Líbano, dentre elas mísseis antiaéreos, que poderiam prejudicar a capacidade de Israel de operar no espaço aéreo libanês, e mísseis avançados Yakhont, que são usados para atacar navios a partir da costa.

Os ataques aéreos ocorrem no momento em que Washington estuda como vai responder às indicações de que o regime sírio pode ter usado armas químicas durante a guerra civil. O presidente Barack Obama descreveu o uso de tais armas como uma “linha vermelha”. O governo avalia as ações que podem ser tomadas, dentre elas uma possível ação militar.

O Ministério de Relações Exteriores da Síria condenou os ataques, dizendo que foram uma “flagrante agressão israelense com o objetivo de dar apoio militar direto a grupos terroristas” que lutam contra o governo. A Síria se refere aos rebeldes que tentam derrubar Assad como “terroristas”.

Em cartas enviadas à Organização das Nações Unidas (ONU) e ao Conselho de Segurança da organização, o Ministério também diz que os ataques de Israel mataram e feriram várias pessoas e “causaram grande destruição”.

Embora o governo tente usar os ataques para manchar a imagem dos rebeldes, ligando-os a Israel, eles representam um dilema para o regime de Assad. Se não responder aos ataques, pode parecer fraco e abrir as portas para que tais ações se tornem comuns. Por outro lado, uma retaliação militar contra Israel pode trazer o país e seu poderoso Exército para o conflito.

Neste domingo, Israel instalou duas baterias de seu sistema de defesa, conhecido como Domo de Ferro, no norte do país, e descreveu a medida como parte da “atual avaliação da situação”.

 

 

Estadão com Associated Press 

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